O carvão vegetal ativado, cujo nome botânico é Carbo activatus, é preparado a partir da queima controlada, com baixo teor de oxigênio, das partes lenhosas de angiospermas não resinosas.
O Carvão vegetal ativado é bastante poroso e possui grande capacidade de captar e reter substâncias tóxicas, impurezas, micro-organismos e gases oriundos da decomposição alimentar intestinal; de forma rápida.
É muito usado na medicina, para prevenir e tratar diversos males; como envenenamento, intoxicações por medicamentos ou alimentos, problemas relacionados ao sistema gastrointestinal (tais como diarreia, desconfortos abdominais, gases, mau hálito, aftas e dores de estômago) e icterícia (por adsorver a bilirrubina). Algumas fontes indicam, que o carvão mineral ativado pode auxiliar na restauração óssea em casos de fraturas e osteoporose, na redução da estafa, estresse e no tratamento de tumores e úlceras.
É usado externamente no tratamento de feridas; infecções superficiais, furúnculos, hordéolos, úlceras provocadas pela varíola e para adsorver veneno ou outras substâncias tóxicas oriundas de animais como serpentes, escorpiões, aranhas, vespas, abelhas e águas-vivas.
*De acordo com Thiago Rocha, a melhor opção para tirar as toxinas do intestino é o carvão vegetal. Use 2 cápsulas 3Xdia por 10 dias, em jejum ou distante 2hrs das refeições.
*Para um intestino saudável, você tem que parar de comer essa açucarada toda, aumentar o consumo de fibra, fazer o uso de probióticos e dar uma limpeza mensal com carvão vegetal".
USO DE CARVÃO ATIVADO NOS DENTES
Usar de forma pura e diretamente nos dentes pode danificar e remover o esmalte dentário. Isso ocorre, pois o carvão ativado é extremamente corrosivo e abrasivo, desgastando a superfície de contato e sendo responsável por gerar sensibilidade e dor.
Importante:
Como se trata de uma substância adsorvente, o uso do carvão vegetal deve ser suspenso antes de se utilizar medicamentos e/ou suplementos nutricionais."
A utilização do carvão ativado na medicina deve-se principalmente a seu poder de adsorção de toxinas no lúmen gastrointestinal, isto porque sua superfície porosa possui carga eletronegativa atraindo substâncias carregadas positivamente e eliminando-as integralmente nas fezes, uma vez que ele próprio não pode ser absorvido pelo organismo. Também, melhora da função renal em pacientes renais crônicos e redução de níveis séricos de colesterol.As principais indicações para seu uso estão relacionadas à necessidade de impedir a absorção do fármaco ou toxina pelo TGI (Trato Gastro Intestinal) e, isoladamente, pode ser tão ou mesmo mais eficaz que a êmese ou lavagem gástrica. Doses repetidas de carvão ativado podem ser necessárias quando houver benefício para o paciente na eliminação mais rápida e quando meios mais invasivos para remoção, como hemodiálise, não são indicados ou estão indisponíveis.O seu uso deve ser avaliado nas emergências, como o tempo de exposição à toxinas; o efeito do carvão ativado é máximo quando utilizado até 1h após a intoxicação. Apesar disto, intoxicação por substâncias com absorção lenta ou que retardam esvaziamento gástrico podem ter benefícios com uso de carvão ativado mesmo horas após o evento (ex. intoxicação com acetaminofeno);
Proporção carvão-substância tóxica: a proporção ideal para uso de carvão ativado é de 10:1 (de carvão para a substância intoxicante), embora algumas substâncias mais precariamente absorvidas podem necessitar de proporções maiores, como o cianeto (100:1);
pH e presença de alimentos no trato gastrointestinal: o carvão ativado pode ter sua eficiência diminuída em casos de ingestão de sorvete e leite, e é pouco eficiente na absorção de ácidos minerais e álcalis. Outras substâncias pouco absorvidas pelo carvão ativado são: ferro, lítio, chumbo, cáusticos, álcoois (etanol e metanol), derivados do petróleo e metais pesados.
Contraindicações e efeitos adversos
O carvão ativado está contraindicado em casos em que há suspeita ou confirmação de: íleo paralítico, obstrução e/ou perfuração intestinal. Além disso, não deve ser usado nas intoxicações por álcoois, alcalinos e metais pesados. Pacientes em risco aumentado para broncoaspiração devem ter a via aérea protegida antes da utilização do carvão ativado a fim de evitar pneumonia e bronquite obliterante como efeitos adversos.
É importante pontuar que o uso de carvão ativado pode impedir, reduzir ou retardar a absorção de antídotos administrados por via oral, como a acetilcisteína, e também aumentar a depuração de fármacos terapêuticos, como os anticonvulsivantes (fenitoína, fenobarbital e carbamazepina).
Doses múltiplas de carvão ativado podem ser mais eficazes em casos de intoxicação com fármacos que passam por recirculação enterro-hepática, como a digoxina, ou que são reabsorvidos a partir da circulação intestinal para o lúmen, como fenobarbital. Nestes casos, respeita-se a dose de 15 a 30 g (0,25 a 0,5 g/kg), a cada 2 a 4 horas ou de hora em hora.
Na prática clínica, ele tem sido ferramenta eficaz, cumprindo o seu papel histórico como antídoto universal quando usado no tempo e nas situações adequadas.
O uso do carvão ativado é baseado na sua propriedade adsortiva.
1. É utilizado em casos de intoxicações e atua adsorvendo a substância tóxica, diminuindo a quantidade disponível para absorção pelo sistema digestório, mas, também age em substâncias já absorvidas, como nos casos de bases fracas ou aquelas com circulação entero-hepática, a qual é interrompida por ação do carvão ativado. A substância tóxica retida pelo carvão ativado é eliminada com as fezes.
2. INDICAÇÕES Carvão Ativado (CA) (Dose Única)
Pode adsorver o tóxico não somente no estômago, como também ao longo do trato gastrintestinal, sendo utilizado após a lavagem gástrica (LG) (pode-se administrar o carvão no início e no final da LG para melhor eficácia).
O tempo ideal é o mesmo preconizado para a LG, ou seja, nos primeiros 60 minutos após ingestão do tóxico. Como referido na LG, a ingestão de substâncias muito tóxicas, em grande quantidade, ou que retardem o esvaziamento gástrico (tais como tricíclicos, barbitúricos, salicilatos, cianeto, opióides, bloqueadores do canal de cálcio, meprobramato e agentes anticolinérgicos, entre outros) podem indicar o uso de carvão mais tardiamente.
Produtos não adsorvidos pelo CA: álcoois, hidrocarbonetos, derivados do petróleo, ácidos e álcalis, potássio, ferro e outros metais, lítio, diclorodifeniletano (DDT). O carvão vegetal ativado é indicado no tratamento da dor abdominal, inchaço e gases;em casos de gastrites, gastroenterite, diarreia, intoxicação alimentar, isso porque contém substâncias capazes de limpar os intestinos e o estômago, absorvendo o que faz mal ao corpo humano.
Carvão Ativado em Múltiplas Doses (CAMD)
Além de adsorver qualquer substância ainda presente no intestino, pode atuar interrompendo a circulação enterohepática e enterogástrica de determinadas drogas (diálise gastrintestinal). As substâncias com meia vida de eliminação prolongada após superdosagem e com pequeno volume de distribuição são as que mais provavelmente têm sua eliminação aumentada de forma clinicamente significante.
É indicado quando a dose ingerida for grande, quando ocorrer absorção continuada da substância (detectada por aumento dos níveis séricos) ou quando se trata de produtos de liberação lenta.
Fármacos cujo clearance comprovadamente aumenta com o uso de CAMD: carbamazepina, fenobarbital, quinina, teofilina e dapsona, podendo, portanto minimizar a necessidade de técnicas invasivas.
Dados insuficientes para indicar ou não o uso de CAMD: digoxina, digitoxina, fenilbutazona, fenitoína, piroxicam, solatol, amitriptilina, dextropropoxifeno, nadolol. Também na ingestão de salicilatos o uso de CAMD é controverso.
POSOLOGIA
Adolescentes e Adultos: 25 – 100 g, diluídos a 10% com água ou suco, por via oral, se paciente consciente, caso contrário através de sonda nasogástrica.
Crianças: 1 g/kg peso, até o máximo de 50 g, diluídos em água ou suco, via oral ou se necessário, através de sonda nasogástrica.
MODO DE PREPARO: O Carvão vegetal ativado em pó poderá ser reconstituído em quantidade suficiente de água ou suco numa diluição de 8 a 10%. Não deve ser diluído em soro fisiológico, sendo sempre em água ou suco.
PRECAUÇÕES
A administração do CA não deve eliminar outras medidas usadas no tratamento emergencial das intoxicações agudas. Não deve ser usado na ingestão de agentes corrosivos ou destilados do petróleo . As precauções para seu uso são as mesmas para a lavagem gástrica.
Idosos: Pessoas idosas por apresentarem digestão mais lenta, estão mais predispostas a apresentarem constipação intestinal (prisão de ventre), devendo utilizar o produto com maior cautela.
A presença de alimentosprejudica a capacidade de ligação do carvão ativado com a substância tóxica.
CONTRA-INDICAÇÕES
• Pacientes debilitados ou recém operados do intestino.
• Quando houver ausência ou diminuição acentuada do trânsito intestinal .
• Quando houver ingestão de substâncias cáusticas.
Esta substância é contraindicada para menores de 2 anos de idade.
COMPLICAÇÕES DO USO DO CA: aspiração, abrasão de córnea (contato direto), constipação, obstrução intestinal (estas últimas podem ocorrer com o uso de múltiplas doses).
O carvão vegetal pode causardescoloração das fezes e vômito, o que desaparece com a descontinuação de seu uso. Ocasionalmente pode ocorrer obstrução gastrintestinal. Altas doses de carvão vegetal podem causar constipação. Em caso de superdosagem, recomenda-se suspender o uso e procurar orientação médica.
INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
O uso prolongado pode reduzir a absorção intestinal de medicamentos usados concomitantemente.
Qualquer outra medicação habitual deve ser administrada com pelo menos 2 horas de intervalo do uso de carvão ativado.
Qualquer dúvida consulte o Centro de Controle de Intoxicações da Unidade de Emergência.